Sou um menino, um jovem, um homem. Sou um engraxate, um vendedor de latas, um vendedor de peixe, um vendedor de picole e dindin. Também sou um servente de pedreiro, um agente comunitário de saúde metido a médico, sou um garçom. Sou policial militar, sociologo e antropologo. Sou comunista no capitalismo (Isto lá existe?). Sou de esquerda, mandaram-me escolher e escolhi, mas descobri que realmente não tem lado. Sou Filho de Maria, enteado de José(mais do que pai, aceitou um filho nao-biológico) concebido pelo Divino Espírito Santo (apesar da semelhança, não faço milagres), mas ateu porque Deus quis assim. Sou mineiro, sou brazlandense, sou brasileiro. Sou miserável, sou pobre, sou classe média. Sou alienado, sou revolucionário, sou pelego, sou brasileiro. Sou amado e odiado, sou inteligente, sou idiota e, como diz meu amigo Devaneio, sou medíocre, igual a ele. Sou mentiroso, sou verdadeiro, sou dissimulado. Sou cheio de vida, sou cheio de morte. Com que máscara eu vou? Com qual máscara me permitirão usar? Nem sei se quero usar alguma, nem sei se não quero usar alguma. Afinal, são tantas máscaras que nem lembro o meu próprio rosto.